A tecnologia em pouco tempo se desenvolveu a ponto de não sabermos mais o que ainda é novo ou já foi superado. Na medicina, além de gerar expectativas positivas, há momentos em que o desenvolvimento tecnológico pode se tornar perigoso, por exemplo: Imagine se a indústria voltada para medicina desenvolvesse uma prótese melhor do que uma perna humana e certas pessoas acreditassem que isso gerasse uma vantagem em relação aos outros, ou até mesmo uma condição de vida melhor. Será que alguns amputariam as pernas para se tornarem mais velozes ou para andarem com mais desenvoltura com a ajuda de próteses?

Existem questionamentos em torno dessa questão e, por isso, devemos discuti-la e analisa-la com muito cuidado. É certo que a tecnologia vai continuar se desenvolvendo em um fluxo contínuo e, sabendo disso, devemos levar em conta nossos princípios de ética e moral na hora de estabelecermos limites aos avanços tecnológicos, pensando sempre no rumo que a humanidade irá tomar com determinadas mudanças. Entretanto, a quantidade de cientistas e intelectuais que se denominam transumanistas, defensores  do uso da tecnologia e da ciência para transcender os limites humanos, vem crescendo continuamente, o que preocupa, por outro lado, outros intelectuais e pessoas relacionadas ao tema.

Homem utilizando prótese controlada pelo cérebro

O filósofo Francis Fukuyama, da Universidade Johns Hopkins, é uma dessas pessoas que vai contra o pensamento dos transumanistas. Ele considera a ideia uma das mais perigosas do mundo e explica a razão: a desigualdade que essa transformação irá causar, não só nos fatores biológicos, como na forma que as leis serão aplicadas para cada um. Não há como discordar com a lógica de que apenas os mais ricos e favorecidos poderiam dar-se ‘’ ao luxo’’ de investir nesse tipo de mudança física e, assim, exigir privilégios perante a lei por serem superdotados, diferentemente do resto da humanidade.

Contudo, é necessário reconhecer que em alguns casos, a tecnologia é a solução mais eficiente e criativa para um problema. Há pessoas que perderam uma parte do dedo e decidiram implantar no espaço vazio um pen-drive, dando a esse membro do corpo outra utilidade. Outros usam próteses biônicas, controladas pelo cérebro, que funcionam através da força do pensamento e são muito úteis para aqueles que não possuem os braços ou as pernas.

É indiscutível que precisamos da tecnologia e não devemos descarta-la em momentos que ela pode ser um diferencial. Porém, é importante ponderar sobre os benefícios que próteses tecnológicas podem trazer, sendo utilizadas apenas quando necessário para o retorno da qualidade de vida dos que realmente precisam, não para aqueles que desejam transcender os limites humanos substituindo membros saudáveis deliberadamente para adquirir os tais ‘’superpoderes’’ que tanto sonham.