Black Mirror é uma série que faz diversas críticas à tecnologia futurística, porém mais do que criticar a tecnologia, critica os valores do Ser Humano. A maioria dos episódios mostra como as pessoas lidam com os avanços tecnológicos e como estes afetam a moral e a ética da sociedade, muita das vezes, negativamente. Invasão de privacidade, viagens no tempo, interação com pessoas que já morreram, convívio com robôs e exposições desnecessárias na mídia são alguns dos temas abordados que nos fazem refletir sobre até que ponto somos dominados pelo avanço desenfreado da  tecnologia.

No universo da série, as inovações tecnológicas traçam o destino da humanidade, o que é assustador. Os indivíduos, cada vez mais, perdem a essência e transformam o que seria benefício em ferramentas prejudiciais, tanto aos outros quanto a si próprios. O foco, portanto, é sempre na corrupção do ser humano, não propriamente da tecnologia. Alguns dos episódios mostram que, para a maioria das pessoas, o que mais importa é a imagem passada através das redes sociais, mesmo que aquela ideia não corresponda à realidade, o que chamamos de exibicionismo virtual. Por mais que a série seja fictícia, ela representa algo que, de fato, acontece no mundo em que vivemos e, inclusive, desperta a atenção da ciência para estudos que buscam compreender e explicar esse padrão de comportamento.

 

 

De acordo com uma pesquisa feita no Reino Unido, 70% dos entrevistados já encerraram uma amizade virtual por terem se sentindo incomodados com aqueles que exibem constantemente a ”vida boa” que levam nas redes sociais, enquanto um estudo feito pela Universidade Humboldt, em Berlim, com 357 universitários, reforçou a questão de que as mídias sociais, realmente,despertam sentimentos negativos, principalmente a inveja. Quase 30% dos entrevistados relataram nutrir esse sentimento ao ver, no Facebook e no Instagram, posts que indicam o sucesso do outro, sendo que cerca de  20% afirmaram chatear-se por terem a própria ostentação ignorada pelos amigos.

Mas em defesa as redes sociais, é preciso enfatizar que com ou sem internet, 40% de nossas falas diárias é sobre nós mesmos e nossas opiniões. As pessoas querem mostrar ao mundo quem elas gostariam de ser. Mais que isso, querem ser aceitas socialmente. No entanto, é válido ressaltar que o ato de se gabar não surgiu com tecnologia, mas a internet, de fato, ampliou essa predisposição humana. Por que isso acontece? Porque o mundo virtual libera uma parte de nossa personalidade guiada apenas pelos desejos, sendo assim os limites e censuras que impomos para nós mesmos perdem a eficácia.

O segredo para vivermos bem é o equilíbrio. É preciso refletir quando formos postar algo: Quais são as minhas verdadeiras intenções com esse post? Quero mostrar para alguém específico como estou bem de vida? Desejo causar inveja nos meus amigos? Siga seus instintos e não tente parecer feliz quando não está. Não tente passar aos outros o que não é verdade, nem seja alguém que não é só para impressionar alguém. Do que adianta falar que está bem quando na verdade seu dia foi péssimo? Respeite sua integridade e seus sentimentos, a aprovação de ninguém vai te fazer sentir melhor, talvez apenas por uma breve momento, mas a sensação é passageira. Seja você sempre, e pra quem não gosta: a função de unfollow não foi criada à toa, é só clicar.